quinta-feira, 6 de junho de 2013 - 2 comentários

HIV causa envelhecimento precoce

         Passados 30 anos da descoberta do vírus responsável por causar a aids e pelo menos 15 anos depois de o diagnóstico ter deixado de ser considerado uma sentença de morte, a primeira pergunta que muitos pacientes ainda fazem logo após saber que são soropositivos é: quanto tempo eu tenho de vida? O infectologista Alexandre Naime Barbosa tem a resposta na ponta da língua: "O mesmo tempo que qualquer outra pessoa da sua idade".
          Fica para os soropositivos com longo tempo de convivência com o vírus, porém, uma outra constatação. Os pacientes vivem mais, sim, mas envelhecem mais rapidamente. O advento da terapia antirretroviral, com vários medicamentos, conseguiu controlar a principal causa de morte durante o início da epidemia: as doenças oportunistas, que surgiam depois que o vírus, em multiplicação alucinada, aniquilava as defesas do organismo.
         As drogas conseguiram diminuir a replicação do vírus a ponto de a carga viral, nas pessoas que tomam o remédio rigorosamente, ficar indetectável no sangue. Algumas partes do corpo, porém, funcionam como reservatório do vírus, como os sistemas nervoso central e linfático. Uma espécie de refúgio, já que neles os vírus ficam fora do alcance das drogas e continuam se replicando lentamente.
"A gente assistiu à história de 30 anos da doença vendo-a de trás para frente. A primeira visão foi catastrófica. A aids levava a uma profunda redução da imunidade, a ponto de a pessoa morrer em decorrência das doenças oportunistas. Conseguimos mudar isso, tratar as pessoas. Aí, começamos a ver a doença pelo começo" Ricardo Diaz - Infectologista.
Nos últimos anos, vários estudos em todo o mundo vêm mostrando que o corpo de uma pessoa que vive por muitos anos com o HIV acaba funcionando como o de alguém que tem, em média, 15 anos a mais.
As comorbidades mais comuns são as doenças cardiovasculares, como infarto e AVC (acidente vascular cerebral), que têm uma prevalência maior nessa população. Em segundo lugar, vêm os vários tipos de cânceres, como o de próstata, mama e colo de útero. Também são comuns perda de massa óssea, diabete e distúrbios neurocognitivos, como demência precoce. E deficiência renal, mas que pode estar mais relacionada ao próprio uso dos remédios.
         A solução, afirma o médico, é tentar lidar preventivamente com isso, associando outros medicamentos quando necessário. "Mulheres com o HIV devem fazer o exame de papanicolau e mamografia a cada seis meses. Recomendamos que todos sempre tomem vacinas." Com esses cuidados, diz, mesmo com uma incidência maior de outros problemas de saúde, não há impacto na expectativa de vida. "A mortalidade é praticamente igual a de quem não tem HIV. Só é preciso ter mais cuidados." 

Fonte: Estadão
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Onu faz parceria para promover a testagem em cinco milhões de trabalhadores até 2015


          A Organização Mundial do Trabalho (OIT), junto com o Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV/Aids (UNAIDS), lançaram uma iniciativa conjunta para alcançar cinco milhões de trabalhadores com o teste voluntário e confidencial para o HIV até 2015. A iniciativa ainda irá garantir que as pessoas que receberem o diagnóstico positivo tenham acesso aos serviços de atenção e apoio, além do tratamento, se necessário. 


“Nós queremos utilizar o poder da OIT para incentivar cinco milhões de trabalhadores, mulheres e homens, a voluntariamente se testarem para o HIV”, disse o diretor geral da OIT Guy Ryder. Ele ainda apelou para que todos os ministros do trabalho, empregadores e todos os trabalhadores no geral juntem forças para que a meta seja alcançada. “A contagem para 2015 já começou, vamos fazer cada dia valer a pena”, completou. 

         A iniciativa, denominada VCT@WORK, que vem da sigla em inglês de “aconselhamento e testagem voluntária” no trabalho, faz parte dos esforços do OIT para alcançar uma das metas da ONU para o desenvolvimento, que é oferecer para 15 milhões de pessoas o tratamento antirretroviral até 2015. “Para alcançar esse objetivo nós temos que trabalhar juntos para que o ambiente de trabalho esteja livre do estigma e da descriminalização”, afirmou Ryder.



        A rápida expansão da terapia antirretroviral nos últimos anos permitiu que oito milhões de pessoas que vivem com HIV tivessem acesso ao tratamento, o que os possibilitou uma vida mais longa, saudável e muito mais produtiva, fazendo com que essas pessoas continuassem sendo uma força de trabalho. Entretanto, de acordo com o UNAIDS, cerca de sete milhões de pessoas que são elegíveis ao tratamento não tenham acesso a ele. Além disso, estima-se que 40% das pessoas vivendo com HIV no mundo ainda não sabem da existência da doença em seu organismo. Em alguns países, o número de soropositivos que não sabem do seu status pode chegar a 50%. 

“Se os lugares que as pessoas trabalham adotarem essa iniciativa, isso poderá significar um dos maiores avanços já observados na expansão do acesso ao teste do HIV em um ambiente saudável e conectado aos serviços de apoio, incluindo o tratamento”, afirmou o diretor executivo do UNAIDS Michael Sidibé. 

         As três partes que constituem as organizações de trabalho - governo, empregadores e trabalhadores - fortalecerão as relações existentes de parceria para garantir o acesso ao teste e tratamento para os trabalhadores, suas famílias e a comunidade. Eles serão apoiados pela OIT e demais agências da ONU, programas nacionais de AIDS e redes de pessoas vivendo com HIV. A Índia já lançou o seu Programa Nacional VCT@WORK, e a África do Sul e a Tanzânia deverão fazer o mesmo nos próximos meses.


FOnte: UNAIDS